Como funciona o 13° salário: tudo que você precisa saber

Entender como funciona o 13° salário e o cálculo evita surpresas na hora do pagamento.

Seja para saber quanto você vai receber, quando vai cair ou se tem direito à antecipação — as respostas estão aqui.

Este guia explica tudo de forma direta: cálculo, datas, descontos, antecipação e quem tem direito.

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O que é o 13° salário e como funciona?

O 13° salário — também chamado de décimo terceiro ou gratificação natalina — é um direito trabalhista garantido por lei a todos os trabalhadores com contrato formal no Brasil.

Foi instituído pela Lei 4.090, de 13 de julho de 1962, durante o governo João Goulart, e desde então é um dos direitos mais esperados pelos trabalhadores brasileiros a cada fim de ano.

O benefício equivale a um salário extra pago ao trabalhador que tenha trabalhado pelo menos 15 dias no ano-base. Quem trabalhou o ano inteiro recebe o valor integral. Quem trabalhou menos tempo recebe proporcionalmente ao número de meses.

O pagamento é obrigatório para o empregador — atrasar ou deixar de pagar gera multa e pode resultar em reclamação trabalhista.

Quem tem direito ao 13° salário?

O direito ao décimo terceiro é amplo e abrange diferentes categorias de trabalhadores:

  • Trabalhadores com carteira assinada (CLT): todos os empregados com contrato formal, independentemente do cargo ou tempo de serviço mínimo (desde que tenham trabalhado 15 dias ou mais no ano)
  • Trabalhadores rurais: com a mesma proteção dos urbanos
  • Empregados domésticos: formalizados com carteira assinada
  • Aposentados e pensionistas do INSS: recebem o 13° junto com o benefício previdenciário, no calendário definido anualmente pelo governo
  • Trabalhadores intermitentes: têm direito proporcional aos dias trabalhados

Trabalhadores autônomos, MEIs sem vínculo empregatício e prestadores de serviço por RPA não têm direito ao 13° salário, já que a lei se aplica apenas a relações de emprego formais.

Como calcular o 13° salário: fórmula e exemplos

O cálculo do 13° salário é simples: divide-se o salário bruto por 12 e multiplica-se pelo número de meses trabalhados no ano.

Fórmula:

13° salário = (Salário bruto ÷ 12) × Meses trabalhados

Regra importante: meses com 15 dias ou mais trabalhados contam como mês completo.

Exemplos práticos:

Salário brutoMeses trabalhadosValor bruto do 13°
R$ 2.00012 (ano completo)R$ 2.000
R$ 2.0006R$ 1.000
R$ 3.50012R$ 3.500
R$ 3.5008R$ 2.333
R$ 5.00012R$ 5.000

O valor acima é o valor bruto — antes dos descontos de INSS e IRPF. O valor líquido que cai na conta é menor, conforme explicado na seção de descontos.

Datas de pagamento do 13° salário: quando cai?

O pagamento é dividido obrigatoriamente em duas parcelas:

  • Primeira parcela: deve ser paga entre 1° de fevereiro e 30 de novembro — equivale a 50% do salário bruto, sem descontos de IR
  • Segunda parcela: deve ser quitada até o dia 20 de dezembro — é nessa parcela que incidem os descontos de INSS e IRPF sobre o valor total

O empregador tem liberdade para pagar a primeira parcela em qualquer momento dentro desse intervalo — não existe uma data única obrigatória. Muitas empresas pagam junto com o salário de novembro ou em uma data fixa definida em convenção coletiva.

Atenção: se o empregador não pagar dentro dos prazos estabelecidos, o trabalhador pode acionar a Justiça do Trabalho — o atraso gera multa ao empregador equivalente ao valor do 13° mais juros.

Antecipação do 13° salário INSS: como funciona para aposentados?

Para aposentados e pensionistas do INSS, o 13° salário INSS é pago antecipado em relação ao calendário dos trabalhadores da iniciativa privada.

O governo federal define anualmente o calendário de pagamento — geralmente o pagamento começa entre abril e maio para os segurados de menor renda, chegando a todos até agosto.

A antecipação do 13° salário INSS é especialmente esperada pelos aposentados de menor renda, pois representa um reforço significativo no orçamento — para quem recebe um salário mínimo, equivale a um mês extra de renda.

O valor também está sujeito aos mesmos descontos do benefício mensal — INSS e IRPF conforme a faixa de renda.

Antecipação do 13° salário CLT: quando é possível pedir?

Para trabalhadores CLT, a antecipação do 13° salário — que na prática é o adiantamento da primeira parcela — pode ser solicitada em uma situação específica: quando o trabalhador entra em férias.

A regra é clara: o trabalhador que quiser receber a primeira parcela do 13° junto com o pagamento das férias deve fazer a solicitação em janeiro do ano de pagamento.

O pedido deve ser formal e por escrito ao empregador. Se o trabalhador não solicitar em janeiro, perde o direito à antecipação junto com as férias daquele ano — mas continuará recebendo a primeira parcela normalmente até 30 de novembro.

Algumas convenções coletivas e acordos sindicais podem prever condições diferentes para a antecipação — vale verificar o que se aplica à sua categoria.

Adiantamento 13° salário Banco do Brasil e outras instituições

Além da antecipação prevista em lei pelas férias, muitas instituições financeiras oferecem o adiantamento do 13° salário como produto de crédito — incluindo o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados.

Nesse modelo, o banco adianta o valor do 13° antes da data de pagamento pelo empregador, com desconto direto do benefício quando ele for pago.

Esse tipo de operação pode ser vantajoso para quem precisa do dinheiro antes — mas exige atenção:

  • Há cobrança de juros sobre o valor adiantado
  • O valor recebido é menor do que o 13° integral
  • Verifique a taxa efetiva antes de contratar

Para aposentados e pensionistas do INSS, o crédito consignado com desconto no 13° é uma das modalidades disponíveis — também com juros menores do que o crédito pessoal convencional.

Descontos no 13° salário: quanto você realmente recebe?

O valor bruto calculado não é o que cai na conta. O 13° salário sofre dois descontos obrigatórios na segunda parcela:

1. INSS: a contribuição previdenciária incide sobre o valor total do 13°, nas mesmas alíquotas do salário mensal — variando de 7,5% a 14% conforme a faixa salarial.

2. IRPF (Imposto de Renda): incide sobre o valor total do 13° bruto, usando a tabela progressiva do IR. Trabalhadores que recebem até R$ 2.824 mensais (referência 2024) geralmente ficam isentos. Acima disso, as alíquotas variam de 7,5% a 27,5%.

Um exemplo prático para salário de R$ 3.000:

  • 13° bruto: R$ 3.000
  • Desconto INSS (estimado ~9%): R$ 270
  • Base para IR: R$ 2.730
  • Desconto IR (estimado ~7,5%): R$ 204,75
  • 13° líquido aproximado: R$ 2.525

Os valores exatos dependem das tabelas vigentes no ano do pagamento e de outras deduções que o trabalhador possa ter.

13° salário CLT na rescisão: e quando o trabalhador é demitido?

Quando um trabalhador é demitido ou pede demissão antes de dezembro, ele tem direito ao 13° salário proporcional calculado sobre os meses trabalhados no ano.

As regras variam conforme o tipo de desligamento:

  • Demissão sem justa causa: o trabalhador recebe o 13° proporcional junto com as verbas rescisórias
  • Pedido de demissão: o trabalhador também recebe o 13° proporcional normalmente
  • Demissão por justa causa: o trabalhador perde o direito ao 13° proporcional — apenas as parcelas já pagas são mantidas

Na rescisão, o 13° proporcional é calculado sobre os meses trabalhados no ano — um mês com 15 dias ou mais de trabalho conta como mês completo para o cálculo.

Como usar o 13° salário de forma inteligente

O décimo terceiro é uma das poucas vezes no ano em que o trabalhador recebe uma renda extra significativa — e a forma como usa esse dinheiro faz diferença no longo prazo.

Ordem de prioridade recomendada por especialistas financeiros:

  1. Quitar dívidas com juros altos: cartão de crédito e cheque especial têm juros que podem passar de 300% ao ano — quitá-los é o investimento de maior retorno possível
  2. Reforçar a reserva de emergência: se você não tem 3 a 6 meses de despesas guardados, parte do 13° é bem alocada aqui
  3. Pagar contas anuais à vista: IPVA, IPTU e seguro com desconto à vista geralmente representam economia real
  4. Investir o restante: após quitar dívidas e guardar a reserva, o que sobrar pode ir para renda fixa, Tesouro Direto ou outros investimentos conforme seu perfil

Usar o 13° para compras por impulso é a escolha que mais prejudica a saúde financeira no médio prazo — mas planejar um presente razoável ou uma experiência importante também é parte de uma vida equilibrada.

Este conteúdo é informativo e independente. Não se trata de assessoria jurídica ou financeira. Para dúvidas específicas sobre sua situação trabalhista, consulte o Ministério do Trabalho, um advogado trabalhista ou o sindicato da sua categoria.

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